il Commendatore: a História de Enzo Ferrari

Em 14 de agosto de 1988, há exatos 23 anos e 3 dias, morria Enzo Anselmo Ferrari. Foram 90 anos de uma vida que pode ter sido qualquer coisa, menos monótona.

Podem falar que ele era bom, mal, gênio, amargo, mas imaginar um mundo sem os Cavallinos é algo triste.

Nascido em Modena, norte da Itália, Enzo logo se apaixonou pelos carros. Antes de começar sua vida no automobilismo, teve uma pausa para servir a Itália na primeira guerra mundial.

Francesco Baracca e o seu avião com o Cavallino Rampante

Começou a correr pela CMN em 1919, que não era das melhores, e logo no ano seguinte foi para Alfa Romeo. Em 17 de junho de 1923, correndo em Ravenna (Itália), recebeu um presente que se tornaria a marca de seu império: O Cavallino Rampante. O ícone foi dado por ninguém menos do que a mãe de Francesco Baracca, herói da aviação italiana. Ela pegou o desenho dos destroços do avião (foto) abatido do filho.

Ao cavalo negro, foi adicionado um escudo amarelo (cor da cidade de Modena), a bandeira italiana no topo e as iniciais SF de Scuderia Ferrari. Pronto. Estava criada a marca. Porém, ela só pode ser usada depois, porque a Alfa não permitiu que ele a usasse em seus carros.

Scuderia Ferrari

Logo da Scuderia Ferrari: Cavalo de Baracca, amarelo de Modena e as cores da bandeira italiana.

Em 1939, a Ferrari estreou independente da Alfa Romeo nas corridas, e também a Segunda Guerra Mundial estreou. A fábrica de Modena foi bombardeada pelos aliados e o Commendatore teve que arrumar as malas e ir para Maranello, onde a Ferrari está até hoje. Interessante falar que a Ferrai ajudou o governo fascista durante a guerra, entretanto, não sei se podemos culpá-los de algo.

Ferrari 166MM trouxe a primeira vitória em Le Mans

Apesar de sempre falarem da Ferrari na F1, pois ela está lá desde o primeiro Grande Prêmio, sua fama começou mesmo nas 24 Horas de Le Mans (a corrida mais legal da Terra) em 1949, quando o modelo 166MM ganhou a corrida. Nas décadas de 1950 e 1960, a Fórmula 1 era uma fábrica de viúvas. Alguns alegam que Enzo colocava muita pressão em seus pilotos e que isso os fazia passar do limite. Naquela época passar do limite não era dar umas “rodadinhas” na área de escape e sim ir para o caixão. Em minha modesta opinião, acho que os anos foram sangrentos e não o comendador. Só para ter noção da desgraça, entre 1955 e 1967, sete pilotos da Ferrari morreram: Alberto Ascari, Eugenio Castellotti, Alfonso de Portago, Luigi Musso, Peter Collins, Wolfgang Von Trips e Lorenzo Bandini (na ordem).

O Homem dos Tratores

Ferrari 250GTE: O modelo causou a briga de Enzo com Ferruccio

Em 1958, ocorreu algo que deveria ser contado nos livros de história para as crianças na escola. Diz a lenda que um fabricante de tratores que adorava carros velozes comprou uma Ferrari 250GT (lembra do Curtindo a Vida Adoidado?). Este tal fabricante de tratores achou que o carro era muito barulhento e que era mais para pista de corrida do que para rua. Foi reclamar com Enzo, e ouviu que, se quisesse, ele que fizesse um carro melhor. Pois bem, o nome deste homem era Ferruccio Lamborghini. Me recuso a fazer comparações entre as duas marcas, porque tenho uma filha para criar e não quero ser apedrejado em praça pública.

Os Herdeiros

Ferrari Dino: homenagem ao filho perdido

Diziam que Enzo era uma pessoa difícil de lidar, alguns dizem que era até tirânico. Isso pode ter explicação em um fato bem triste. Seu filho e herdeiro, Alfredo “Dino” Ferrari, morreu com apenas 24 anos de distrofia muscular, uma das doenças mais horríveis que existem.

Dino ficaria com o trono do pai e sua morte foi um grande choque para ele. Mas como nada é “normal” na vida deste homem, ele teve outro filho com uma amante em 1945, Piero Ferrari. Ele só foi reconhecido após da morte da esposa de Enzo, Laura, em 1978. Até hoje o único herdeiro é vice-presidente da marca, com 10% das ações, sendo os outros 90% da Fiat (não, uma Ferrari não tem nada a ver com um 147, apesar da Fiat ser dona da marca).

1988

Ferrari F40: a última que o Commendatore viu e talvez a melhor

Infelizmente chegou o ano de 1988 e o fim da vida do mito, no entanto… como não conto uma história qualquer, tem mais um fato interessante na vida deste homem.

Naquele ano, um homem gênio chamado Gordon Murray fez para McLaren um dos melhores carros que a F1 já viu e que deu o primeiro título para Ayrton Senna, o MP4/4. O carro ganhou todas as corridas… Ops! Todas não!

Quase um mês após a morte do Commendatore o destino, ou ele mesmo, fez mais uma e as McLarens falharam justamente no Grande Premio da Itália. Com isso, a Ferrari fez uma dobradinha, sem dúvida a mais histórica de todas, com Gerhard Berger em primeiro e Michele Alboreto em segundo.

Só me resta agradecer ao italiano casca grossa, porque sem ele o mundo dos carros não seria o mesmo. Um mundo sem os Cavallinos seria bem mais chato. Só para começo de conversa, não teríamos a F40, a 250GTO, a Lamborghini, o Shelby Cobra, o Ford GT40, o…
Enzo Ferrari

Curiosidade:

Por que ele era chamado Commendatore? Porque ele foi condecorado com título de comendador horas! Comendador é um título dado pelo presidente da Itália para os italianos com grande destaque, é o mais alto título que uma pessoa da península pode receber. Algo como o “Sir” da Inglaterra.

Fontes das fotos:

12 thoughts on “il Commendatore: a História de Enzo Ferrari

  1. Fabricio Ferrari

    amo de coração o seu trabalho. para mim vc é um super heroi.meu nome é Fabricio Ferrari

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  3. calos alberto

    sempre quis ter uma ferrari quero dizer meu pai ter uma ferrari mas nós não temos dinheiro

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  4. Pingback: Tratores, Touros, Supercarros e 2 Italianos Cabeçudos | GearHeadBanger

  5. Luciano

    Já existe um filme sobre ele desde 2007, que se chama Enzo Ferrari, com aproximadamente 3:40h de duração. É uma biografia da vida dele e é bem legal, na tv a cabo foi exibida em duas partes, mas é só procurar na Internet que acha pra baixar. Quem é fã da Ferrari como eu vai gostar, vale muito a pena.

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