Saca-rolha, Água Vermelha e Carrossel. Por que as curvas tem esses nomes?

Neste post vou escrever sobre os nomes de algumas das mais sensacionais curvas. Muitos devem se perguntar porque raios escolheram nomes como “Eau Rouge”, “Mulsanne” e “Corkscrew”. A maioria das explicações são simples, mas vale a pena saber.
Deixei Interlagos de fora porque os nomes já são bem conhecidos. Mas se você ainda não sabe, dê uma olhada na Wikipédia.
Vamos lá, começando com minha curva favorita:

Eau Rouge (Spa-Francorchamps)

O nome da curva mais famosa do mundo se deve a um córrego que tem suas águas vermelhas e passa por baixo do início da curva.
Eau Rouge (água vermelha em francês) já foi usado como fronteira do Império Romano (tente imaginar legiões romanas passando no mesmo lugar uns 2 mil anos atrás – Incrível!) e também entre a Bélgica e a Prússia, de 1830 a 1919.
Bacana ver na foto o circuito coberto de neve.
A curva se junta a Raidillon e termina na maior reta do autódromo. Os carros de F1 saem do conjunto Eau Rouge/Raidillon a uns 300 km/h, enquanto carros de turismo “só” conseguem chegar na saída a uns 160 km/h. Isso se deve ao extremo downforce de um carro de F1.

Eau Rouge no inverno com o córrego congelado passando por baixo da pista.

Charutinhos sobem a Eau Rouge com pista molhada. Quanta segurança para o público!

Mulsanne  (Circuit de la Sarthe)

A curva, e também a reta que a antecede, tem esse nome porque ligam Le Mans à Mulsanne, duas cidades no noroeste da França.
Antigamente a reta não tinha as chicanes que tem hoje, e os carros tinham, nada menos, que seis quilômetros para acelerar à vontade. Infelizmente, ou felizmente para a integridade física dos pilotos, em 1990 a FIA estabeleceu uma regra de que nenhuma reta poderia ter mais que dois quilômetros.
O recorde de velocidade é de Roger Dorchy, que em seu WM P87, com motor Peugeot V6 2.8L turbo, chegou a 405 km/h.
Nas corridas atuais, os protótipos da LMP1 chegam na curva a 322km/h para frear forte até 100km/h para conseguir contorná-la.
Em 1999 o, ainda jovem, Mark Webber deu um mortal de costas na reta e acabou pousando na curva com o teto de seu Mercedes CLR (Nota: pretendo falar sobre a falha aerodinâmica desse carro em um outro post, mas resumindo o carro era uma asa).

 Corkscrew (Laguna Seca)

Para fazer esta curva, os pilotos precisam de muita fé. Há uma subida, seguida de uma freada forte e o piloto vira para esquerda sem saber o que virá depois, porque a curva é totalmente cega. O que vai encontrar é uma forte descida e uma curva para a direita.
O nome da curva é auto explicativo: “Saca-rolha”.
A coisa mais legal que já se viu nessa curva foi a ultrapassagem de Alex Zanardi na última volta da corrida de 1996 em cima de Brian Herta.
Veja a 1:10 do vídeo:

Carousel (Nürburgring – Nordschleife)

Pode não ser a melhor curva dos mais de 20km do “círculo norte” de Nürburgring, mas é uma das mais famosas, se não a mais.
O nome foi dado depois de Rudolf Caracciola, isso lá na década de 30, fazer a curva usando o sistema de drenagem da pista. Daí o nome original: Caracciola-Karussell. Em reformas posteriores, toda a parte interna da curva de 270 graus foi coberta com cimento.

Grand Hotel Hairpin ou Loews (Mônaco)

Talvez a curva mais famosa da F1, pelo menos a mais fotografada/ filmada. Ganhou seu nome por causa dos vários hotéis construídos a sua volta, principalmente o Loews Hotel.
Ponto de várias ultrapassagens feitas sem a menor classe,  mostrando como um piloto de F1 pode ser bruto.
A curva é feita em baixíssima velocidade, fazendo com que os pilotos tenham que torcer os braços para conseguir esterçar o volante do carro. A velociade é de apenas 50km/h ou menos, fazendo dela a mais lenta de todo o calendário da F1.

Curva Parabolica (Monza)

Ganhou o nome graças ao seu desenho. Ela praticamente “cospe” os carros para a grande reta onde atingem altíssimas velocidades. Na F1 a curva é feita a 215km/h, ajudando os carros a chegaram a mais de 350km/h no fim da reta para frear até 80km/h na primeira chicane. Imaginem como era antigamente sem essa chicane.

Créditos das fotos: Wikipedia, Getty Images e infelizmente não consegui achar demais autores.

Nota: Sugestão de pauta da nossa grande corretora, Aline C. Gomes – @alinecgomes

8 thoughts on “Saca-rolha, Água Vermelha e Carrossel. Por que as curvas tem esses nomes?

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    1. Ricardo Varoli-GearH

      Confesso que não me lembrava dessa curva.
      Para quem não sabe, essa curva fica no autódromo mexicano Hermanos Rodríguez e é bem parecida com a parabólica de Monza, só que com mais inclinação, daí o nome “Peraltada”.

      Obrigado Papo Reto por lembrar!

      Achei um vídeo bem bacana. Aos 1min03seg dá para ver a curva sendo contornada por Gerhard Berger seguido de Thierry Boutsen.

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  3. Papo Reto

    Pô ,descobrir essa page foi a melhor coisa do domingo (pelo menos até agora…)! Falar de automobilismo citando Slayer não é pra qualquer….Falando em Metal ,pela camera on board deu pra ver o Kobayashi "bangeando" dentro do carro depois do strike do Grosjean na La Source… Fantastica manobra do Iceman pra passar o Schumi na Agua Vermelha….

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    1. Ricardo Varoli-GearH

      Obrigado! Cara, espero ter alegrado seu domingo.
      Carros+Metal+Mundo. Tudo no mundo ou está no metal ou está nos carros.
      Kobayashi parecia um “Bobblehead do Fallout” dentro do carro.
      Grosjean tocou o terror na largada. “Bem ele” fazer dessas coisas. Sempre tem um Irvine para animar os GPs.
      O Kimi vez algo só possível nos Gran Turismo da vida, manobra fantástica mesmo. Aliás, essa temporada veio para acabar com o saudosismo da era Mansell/Piquet/Prost/Senna. Absolutamente incrível!
      Spa é fora de série, meu GP predileto, tirando Interlagos.

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